O que é roll rate
Roll rate, ou taxa de rolagem, é o percentual do saldo de uma faixa de atraso que migra para a faixa seguinte no período seguinte. Ele acompanha um mesmo bloco de dinheiro ao longo do tempo, em vez de olhar o retrato da carteira numa data.
É essa diferença que o torna útil. O aging diz quanto está atrasado; o roll rate diz quanto está piorando. Um credor pode ter aging estável e roll rate subindo — sinal de que a deterioração já começou e ainda não apareceu no saldo acumulado da cauda.
Como calcular, passagem por passagem
Compare o mesmo bloco em dois períodos seguidos: divida o valor que apareceu na faixa seguinte pelo valor que estava na faixa de origem no período anterior.
Roll rate = valor que migrou para a faixa seguinte ÷ saldo da faixa de origem no período anterior
Imagine R$ 500 mil na faixa de 31 a 60 dias em julho. Em agosto, R$ 150 mil desse mesmo bloco reaparecem na faixa de 61 a 90, e o restante foi pago ou virou acordo. O roll rate dessa passagem foi de 30%. Calcule uma taxa para cada passagem — de 1 a 30 para 31 a 60, de 31 a 60 para 61 a 90, e assim por diante — e acompanhe cada série separadamente.
Duas regras de higiene: trabalhe com valores, não com quantidade de títulos, e não misture entradas novas no saldo de origem. O que se acompanha é o bloco, não o total da faixa.
Três decisões que o roll rate resolve
- Alarme antecipado. A taxa piora antes do aging, porque o movimento aparece antes de o saldo se acumular na cauda. Alta na passagem de 1 a 30 para 31 a 60 é o primeiro sinal de que a régua parou de funcionar.
- Teste de ação. Mudou o canal, o texto ou o dia do contato? O efeito aparece no roll rate da faixa atacada, isolado do resto da carteira — coisa que nenhum indicador agregado entrega.
- Estimativa de perda. Encadeando as taxas de passagens sucessivas, você projeta quanto do saldo de hoje deve chegar à faixa mais antiga. É o insumo direto para calibrar a provisão para devedores duvidosos com histórico próprio.
A leitura conjunta com aging, DSO e safras está no guia de indicadores de inadimplência.
O que distorce a série
O erro mais caro é tratar renegociação como pagamento. Um título que virou acordo sai da faixa e some do roll rate; se o acordo não é honrado, ele volta meses depois, e a carteira parecia melhor do que era. Acompanhe acordos em bloco separado, com sua própria taxa de quebra.
O segundo erro é olhar uma única passagem: taxas boas nas faixas iniciais convivem com uma cauda parada. O terceiro é comparar períodos com quantidade muito diferente de dias úteis sem ajustar a leitura — feriados deslocam pagamento e criam rolagem que não é comportamento, é calendário. Para separar rolagem de mudança na qualidade do que se vende, cruze com a análise de safras.
Perguntas frequentes
Roll rate e aging são a mesma coisa?
Não. O aging mostra a distribuição do saldo em aberto por faixa de atraso numa data — é estático. O roll rate compara duas datas e mede quanto do saldo de uma faixa avançou para a seguinte. O aging diz onde a carteira está; o roll rate diz a que velocidade ela está envelhecendo, e por isso antecipa a perda.
Qual roll rate é aceitável?
Não há referência universal: depende do prazo concedido, do setor e do perfil de cliente. O parâmetro é a sua própria série e a direção dela. Uma taxa estável, mesmo que alta, é previsível e provisionável com segurança. Uma taxa que sobe dois ou três períodos seguidos indica que a cobrança perdeu tração ou que a concessão de crédito afrouxou.
Como o roll rate ajuda a provisionar?
Encadeando as passagens. Sabendo quanto costuma rolar de cada faixa para a seguinte, você projeta quanto do saldo atual deve chegar à faixa mais antiga, onde a recuperação é baixa. Esse percentual, aplicado por faixa, sustenta uma provisão calculada com histórico próprio, em vez de um percentual único aplicado no escuro sobre toda a carteira.
CONTEÚDO EDUCATIVO — NÃO SUBSTITUI ACONSELHAMENTO JURÍDICO. PARA DECISÕES SOBRE CASOS CONCRETOS, CONSULTE UM ADVOGADO.