O que é taxa de recuperação
Taxa de recuperação é o percentual do valor vencido que o credor efetivamente recebe em um período. Se o aging é a fotografia da carteira em atraso, a taxa de recuperação é o filme: quanto daquele estoque virou dinheiro. Ela mede o resultado final da cobrança — acordos assinados, promessas e boletos emitidos não contam; conta o que entrou no caixa.
O indicador anda junto com o roll rate, que mostra o movimento contrário: quanto da carteira piorou de faixa em vez de ser recuperado.
Como calcular — e como fatiar
A fórmula é direta: valor recuperado no período dividido pelo valor vencido na base de partida. A escolha da base é o que separa um indicador útil de um número decorativo. Três cortes fazem a diferença:
- Por faixa de atraso: recuperar título com 15 dias de atraso é rotina; recuperar com 2 anos é exceção. Misturar tudo esconde os dois.
- Por safra: acompanhar cada mês de faturamento separadamente, como na análise vintage, evita que vendas novas diluam a perda das antigas.
- Por canal: cobrança interna, assessoria, protesto, judicial — cada rota tem custo e taxa próprios.
Por exemplo: imagine R$ 500 mil vencidos há mais de 90 dias no início do trimestre. Se R$ 60 mil dessa base viraram caixa em três meses, a taxa de recuperação da faixa foi de 12% no período — e é esse número, não a média geral, que você compara mês a mês.
Por que importa na decisão do credor
A taxa de recuperação precifica decisões. É ela que diz se vale pagar comissão de êxito maior a uma assessoria, se a régua nova funcionou e quanto vale uma carteira na hora de vender — o comprador projeta a recuperação futura e desconta o resto no deságio. Num país com R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso entre empresas, segundo a Serasa Experian (jun/2026), poucos pontos percentuais de recuperação a mais são caixa relevante.
Ela também define prioridade: cruzada com valor e idade do título, orienta quem cobrar primeiro. Os demais números que completam o painel estão no guia de indicadores de inadimplência.
Os erros que distorcem o indicador
Três erros repetidos: contar acordo assinado como recuperação — acordo quebra, e o caixa não volta atrás; medir só a média da carteira, que melhora quando você vende mais, e não quando cobra melhor; e comparar taxas calculadas sobre bases diferentes — recuperação sobre valor de face e sobre valor atualizado com juros e multa são números distintos. Defina a régua de cálculo uma vez, documente e não mude sem anotar.
Perguntas frequentes
Como se calcula a taxa de recuperação?
Divida o valor efetivamente recebido no período pelo valor vencido na base de partida, sempre dentro de um corte definido — faixa de atraso, safra ou canal. Conte apenas dinheiro que entrou no caixa, não acordos assinados. Documente a régua de cálculo (base, período, com ou sem encargos) e mantenha o critério estável para poder comparar.
Qual é uma boa taxa de recuperação?
Não existe um número único de mercado: a taxa cai conforme a idade da dívida cresce e varia por setor, tíquete e qualidade da documentação. A referência honesta é o seu próprio histórico — compare a mesma faixa de atraso entre períodos e safras. Se a taxa de uma faixa cai por dois ou três meses seguidos, algo mudou e merece investigação.
Taxa de recuperação e roll rate medem a mesma coisa?
Não. A taxa de recuperação mede quanto do vencido virou caixa; o roll rate mede quanto da carteira migrou de uma faixa de atraso para a seguinte. Um olha o dinheiro que voltou, o outro antecipa a perda que está se formando. Juntos, mostram se a cobrança está segurando a carteira ou só empurrando o problema de faixa.
CONTEÚDO EDUCATIVO — NÃO SUBSTITUI ACONSELHAMENTO JURÍDICO. PARA DECISÕES SOBRE CASOS CONCRETOS, CONSULTE UM ADVOGADO.