Medição

Indicadores de inadimplência: DSO, aging e recuperação por vintage

Sem medição, cobrança é opinião — e negociação de carteira é chute. Estas são as fórmulas do painel mínimo de quem vende a prazo, com tabela modelo e a regra fiscal que define quando a perda vira dedução.

Time Quitta Atualizado em 26 ago 2026 9 min de leitura · fórmulas prontas
Resposta rápida

O painel mínimo de inadimplência tem quatro números: DSO (dias entre a venda e o caixa), aging (carteira em aberto por faixa de atraso), roll rate (quanto de cada faixa rola para a seguinte) e recuperação por vintage (quanto de cada safra de vencimentos é recuperado em 30/60/90/180 dias). O quinto, PDD, traduz tudo em resultado — com regra contábil separada da fiscal. Meça sempre do mesmo jeito e compare contra você mesmo, mês a mês.

DSO — quantos dias a venda demora para virar caixa

DSO (Days Sales Outstanding) é o número médio de dias entre a venda a prazo e o recebimento. A forma mais simples de calcular:

Fórmula · DSO
DSO = (Contas a Receber ÷ Vendas a prazo do período) × nº de dias do período

Exemplo: R$ 800 mil a receber ÷ R$ 1,2 mi vendidos no trimestre × 90 dias = 60 dias

A leitura certa não é contra um benchmark de mercado — é contra o prazo que você concede. Vende a 30 e o DSO está em 47? Há 17 dias de capital de giro presos na cobrança. Cada dia de DSO tem preço: com custo de capital de 15% a.a., um dia de DSO numa operação que fatura R$ 1 mi/mês custa na ordem de R$ 5 mil por ano. DSO subindo três meses seguidos é o alarme mais precoce que existe de carteira deteriorando.

Aging — o raio-X da carteira em aberto

Aging é a distribuição da carteira em aberto por faixa de atraso. É o relatório operacional da cobrança: cada faixa tem dono, ação e prazo. Um modelo de referência:

Modelo de aging — números ilustrativos, ações de referência
FaixaSaldo% da carteiraAção padrão
A vencerR$ 620 mil62%Lembretes D-5 / D-1 da régua
1–30 diasR$ 180 mil18%Régua amigável intensiva (D+1 a D+20)
31–60 diasR$ 90 mil9%Escalada: aviso e protesto/negativação
61–90 diasR$ 50 mil5%Notificação final; preparar decisão judicial
91–180 diasR$ 35 mil3,5%Judicial seletivo ou cobrança especializada
180+ diasR$ 25 mil2,5%Gestão de prescrição; avaliar venda da carteira

Duas disciplinas fazem o aging prestar: congelar a foto no fechamento (aging é retrato mensal, não planilha viva) e olhar o valor e a contagem — mil títulos de R$ 100 atrasados são um problema diferente de um título de R$ 100 mil.

Roll rate — o velocímetro da deterioração

Roll rate é a fração de cada faixa de atraso que "rola" para a faixa seguinte no mês. É o indicador que antecipa o aging de amanhã:

Fórmula · Roll rate
Roll 30→60 = (saldo que estava em 1–30 no mês M e chegou a 31–60 no mês M+1)
             ÷ (saldo total em 1–30 no mês M)

Exemplo: dos R$ 180 mil em 1–30 dias em julho, R$ 63 mil seguiam em aberto em
agosto (agora na faixa 31–60) → roll 30→60 = 35%

Leitura: roll baixo nas faixas iniciais significa régua funcionando; roll alto em 60→90 significa que a escalada está fraca ou mal direcionada. Quando o roll 30→60 sobe dois meses seguidos, o problema é hoje — o aging só vai mostrar daqui a sessenta dias.

Recuperação por vintage — o número que vale contrato

Análise por vintage agrupa os títulos pelo mês de vencimento (a safra) e mede quanto de cada safra foi recuperado após 30, 60, 90 e 180 dias. É o retrato honesto da eficiência de cobrança, imune ao efeito de mix que distorce médias mensais:

Curva de recuperação por safra — números ilustrativos
Safra (vencimento)Venceu+30d+60d+90d+180d
MarçoR$ 210 mil58%71%78%84%
AbrilR$ 195 mil55%69%75%
MaioR$ 230 mil61%72%
JunhoR$ 205 mil52%

Por que este é o indicador mais importante da lista: a curva por vintage é o baseline de qualquer negociação séria. É contra ela que se mede o lift de uma nova operação de cobrança, é dela que sai o preço de uma carteira em uma venda, e é ela que um contrato de performance com piso congela. Quem não tem a curva negocia no escuro — contra quem tem.

PDD — quando a perda esperada vira número (e quando vira dedução)

São dois cálculos com nomes parecidos e funções diferentes:

  • PDD contábil/gerencial: a expectativa realista de perda da carteira. A melhor prática é derivá-la da sua própria curva por vintage — o que cada faixa de atraso historicamente deixa de recuperar — e não de um percentual fixo herdado de outro negócio.
  • Perda dedutível fiscal (lucro real): critérios objetivos da Lei 9.430/96 (art. 9º, valores da Lei 13.097/2015) para créditos sem garantia:
    • até R$ 15 mil: vencidos há mais de 6 meses, independentemente de cobrança;
    • de R$ 15 mil a R$ 100 mil: mais de 1 ano, mantida a cobrança administrativa;
    • acima de R$ 100 mil: mais de 1 ano, com cobrança judicial iniciada.

Repare no detalhe de gestão embutido na regra: acima de R$ 100 mil, sem ação judicial não há dedução — mais um motivo para a decisão judicial ser gerida, não adiada. Confirme o enquadramento do seu caso com o contador.

O painel mínimo, na prática

Uma planilha com cinco abas resolve o começo — o upgrade para BI vem depois da disciplina, não antes:

  1. Base de títulos: um título por linha — cliente, valor, emissão, vencimento, status, data de pagamento, canal do último contato, promessa registrada;
  2. Aging: a foto mensal por faixa (tabela acima);
  3. Vintage: a curva de recuperação por safra;
  4. Roll rate: a matriz mês a mês;
  5. Resumo executivo: DSO, % vencido, PDD e as três séries anteriores em gráfico.
Material acionável

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As cinco abas descritas acima, com fórmulas montadas e instruções de preenchimento — pronta para receber o export do seu ERP. Enviamos no seu e-mail em até 1 dia útil.

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Perguntas frequentes

O que é um DSO bom?

O que está perto do prazo que você concede. Vende a 30 com DSO 33? Saudável. Vende a 30 com DSO 47? Há 17 dias de capital preso na cobrança. Benchmark externo vale menos que a sua tendência interna medida sempre do mesmo jeito.

Qual a diferença entre PDD contábil e perda dedutível fiscal?

A contábil/gerencial reflete a expectativa real de perda (idealmente derivada da sua curva por vintage). A fiscal segue os critérios objetivos da Lei 9.430/96 — 6 meses/1 ano conforme o valor, com exigência de cobrança administrativa ou judicial nas faixas maiores. Uma serve para decidir; a outra, para deduzir.

O que é análise por vintage?

Agrupar títulos pelo mês de vencimento e medir a recuperação acumulada de cada safra em 30/60/90/180 dias. É a métrica imune a distorções de mix — e o baseline de qualquer contrato de performance ou precificação de carteira.

Com que frequência medir?

Aging e fila de cobrança: toda semana, para operar. DSO, roll rate, vintage e PDD: no fechamento mensal, para decidir. Consistência de método importa mais que sofisticação.

CONTEÚDO EDUCATIVO. TABELAS COM NÚMEROS ILUSTRATIVOS — NÃO SÃO BENCHMARK DE MERCADO NEM RESULTADO DE CLIENTE. REGRAS FISCAIS: LEI 9.430/96 E LEI 13.097/2015 — CONFIRME COM SEU CONTADOR.

Do painel à predição

Seus indicadores contam o passado. Seus dados podem prever o próximo passo.

O diagnóstico gratuito da Quitta lê seu histórico, monta a sua curva por vintage real e devolve a predição de recuperação título a título — o baseline auditado que vale contrato.

SEM CUSTO · SEM EXCLUSIVIDADE NA FASE DE ANÁLISE · NDA PADRÃO

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