O que é due diligence de carteira
Due diligence de carteira é a conferência entre o que a sua planilha diz e o que os seus documentos provam. Ela começa depois da oferta indicativa, feita apenas com base no data tape, e termina no preço firme.
Em carteiras pulverizadas, a conferência costuma ser por amostragem: escolhe-se um conjunto de linhas, audita-se cada uma e o resultado é projetado para o lote inteiro. É por isso que uma amostra ruim custa tão caro — o erro encontrado em dez títulos vira desconto sobre dez mil.
O que o comprador confere
Quatro perguntas, aplicadas linha a linha:
- O crédito existe? Contrato assinado, nota fiscal, comprovante de entrega, aceite — a prova de que houve venda ou serviço prestado e de que o valor é devido.
- O valor bate? Saldo em aberto, pagamentos parciais já recebidos e critério de encargos, conferidos contra o extrato.
- Ainda é exigível? Se o prazo de prescrição correu, o título perde a via judicial e o valor despenca — dívida líquida em instrumento público ou particular prescreve em 5 anos (CC, art. 206, §5º, I).
- Qual a força de cobrança? Se o documento é título executivo extrajudicial, se há garantia e se existe ação em curso — e em que fase.
Por que a oferta encolhe depois da auditoria
A oferta indicativa é feita acreditando na planilha. A due diligence troca crença por evidência, e o resultado costuma ser um lote menor com preço melhor por título — ou o mesmo lote com deságio maior.
O contrato acompanha essa lógica: como o cedente responde pela existência do crédito (CC, art. 295), títulos reprovados na conferência tendem a ser excluídos do lote, substituídos por outros ou devolvidos depois do fechamento. Negocie esse mecanismo com atenção — é ele que define quanto do preço anunciado você de fato leva.
Note o que a lei não cobre: o cedente não responde pela solvência do devedor, salvo estipulação em contrário (CC, art. 296). Essa escolha é a diferença entre pro soluto e pro solvendo.
Como se preparar (faça a auditoria antes)
Sorteie você mesmo uma amostra da carteira, tente reconstruir cada crédito com os documentos que tem e conte quantos passariam. Esse número é a sua carteira real; o resto é o total do relatório.
Duas providências mudam o resultado: digitalizar e indexar os documentos por título — nada consome mais tempo do que procurar contrato em pasta física — e resolver, antes de abrir a negociação, os títulos perto do fim do prazo de prescrição. O checklist completo do que deixar pronto está em vender ou terceirizar a carteira.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva uma due diligence de carteira?
Depende do tamanho do lote, do tipo de documento e, principalmente, da velocidade com que você entrega o que for pedido. Carteira com documentos digitalizados e indexados por título é conferida numa fração do tempo de outra que exige buscar contrato em arquivo físico. O gargalo costuma estar do lado do vendedor.
O que reprova um título na due diligence?
Falta de prova de que o crédito existe (contrato, nota fiscal, comprovante de entrega), saldo que não fecha com o extrato, devedor duplicado, cadastro inconsistente e crédito já prescrito. Títulos reprovados saem do lote, são substituídos ou puxam o desconto para cima, conforme o que o contrato de cessão previr.
Preciso passar por due diligence para terceirizar a cobrança?
Não da mesma forma. Quem apenas vai cobrar por você — uma assessoria de cobrança ou um servicer — não assume o risco do crédito e faz uma análise mais leve, voltada à operação: contato, documentação e histórico. A auditoria pesada é de quem vai pagar pela carteira e ficar com ela.
CONTEÚDO EDUCATIVO — NÃO SUBSTITUI ACONSELHAMENTO JURÍDICO. PARA DECISÕES SOBRE CASOS CONCRETOS, CONSULTE UM ADVOGADO.