Glossário

Data tape: o que é na venda de carteira

O arquivo que você entrega ao comprador antes de qualquer proposta: como montá-lo, o que ele precisa conter e por que ele diz mais sobre a sua operação do que você gostaria.

Time Quitta Atualizado em 26 ago 2026 4 min de leitura
Resposta rápida

Data tape é a planilha que descreve a carteira, com um registro por título e os mesmos campos preenchidos em todas as linhas. É o primeiro documento que qualquer comprador pede e a base sobre a qual ele calcula o preço. Não é um resumo: é o inventário completo — identificação do devedor, valores, datas, documentação e histórico de cobrança de cada crédito.

O que é o data tape

Data tape é o inventário da sua carteira em formato de planilha: uma linha por título, colunas padronizadas, sem células de texto solto. O nome vem do mercado de recebíveis e virou o padrão de conversa entre quem vende e quem compra dívida.

Ele cumpre duas funções ao mesmo tempo. A primeira é descrever a carteira. A segunda, menos óbvia, é atestar a sua operação: um comprador experiente lê saldos que não fecham, datas faltando e devedores duplicados como sinal de que a cobrança também é assim. É por isso que o data tape mexe no deságio antes mesmo de alguém abrir um contrato.

O que vai em cada linha

Os blocos de informação que o comprador espera encontrar:

  • Identificação do título: número, tipo de documento (duplicata, contrato, boleto, cota), data de emissão e de vencimento.
  • Devedor: CPF ou CNPJ, nome, cidade e UF, dados de contato e data da última atualização cadastral.
  • Valores: valor de face, saldo em aberto, pagamentos parciais já recebidos e critério de encargos, sempre com a data-base do saldo.
  • Documentação: quais provas existem para aquele crédito — contrato assinado, nota fiscal, comprovante de entrega, aceite.
  • Histórico de cobrança: data do último contato, acordos firmados e quebrados, protesto e negativação.
  • Status jurídico: ação em curso, fase e se o título ainda tem via judicial.

Os erros que derrubam a oferta

Os problemas que aparecem sempre, em ordem de estrago:

  1. Saldo sem data-base. Atualizado até quando, com que critério? Sem isso, nenhuma linha é comparável.
  2. Devedor duplicado — o mesmo CPF ou CNPJ em grafias diferentes, inflando a contagem e destruindo a confiança na base inteira.
  3. Campos vazios em massa, sobretudo contato e documentação: o comprador assume o pior para a linha.
  4. PDF no lugar de planilha. Relatório do ERP exportado em imagem não é data tape.
  5. Versões concorrentes circulando entre interessados, cada uma com um total diferente.

Lembre que o arquivo carrega dados pessoais de devedores: a LGPD (Lei 13.709/2018) manda usar o mínimo necessário, então envie apenas os campos que a análise exige e trate a confidencialidade antes do primeiro envio.

O que acontece depois que você entrega

Entregue o data tape e ele deixa de ser o seu argumento: vira a régua do comprador. Cada linha será conferida contra documento na due diligence de carteira, e o que não sobreviver a essa conferência sai do lote ou puxa o preço para baixo — lembrando que o cedente responde pela existência do crédito (CC, art. 295).

Por isso a ordem certa é uma só: arrumar a base, conferir a documentação, depois convidar interessados. O checklist do que precisa estar pronto antes de ir ao mercado está em vender ou terceirizar a carteira.

Perguntas frequentes

O que é um data tape na venda de carteira?

É a planilha que descreve a carteira posta à venda: uma linha por título, com identificação do devedor, valores, datas, documentação disponível e histórico de cobrança. É o primeiro arquivo que qualquer comprador pede, e é sobre ele que a oferta inicial é calculada, antes de qualquer visita a documento.

Que campos não podem faltar no data tape?

Identificação do título e do devedor (CPF ou CNPJ), data de vencimento, valor de face, saldo em aberto com data-base e critério de encargos, quais documentos comprovam o crédito e o histórico de cobrança. Faltando saldo com data-base ou prova documental, o comprador precifica aquela linha pelo pior cenário.

Posso enviar dados dos meus clientes a um possível comprador?

A cobrança tem base legal na LGPD (Lei 13.709/2018) sem consentimento do devedor, pela execução do contrato (art. 7º, V) e pela proteção do crédito (art. 7º, X). A regra prática é usar o mínimo necessário: envie só os campos que a análise exige e formalize a confidencialidade antes de mandar o arquivo.

CONTEÚDO EDUCATIVO — NÃO SUBSTITUI ACONSELHAMENTO JURÍDICO. PARA DECISÕES SOBRE CASOS CONCRETOS, CONSULTE UM ADVOGADO.

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